terça-feira, 6 de março de 2012
oração
A oração dos 7 passos
Uma forma prática para crescer na vida de oração
Por incrível que pareça é cada vez mais comum as pessoas do nosso tempo buscarem alguma forma para entrar em contato com o “ser superior” (como alguns chamam). Esse Ser Superior, para os cristãos e a maioria da humanidade, se chama “Deus”! Ele traz um profundo desejo de estar cada vez mais próximo de você e de conversar com você. Um dos meios mais comuns para entrar em contato com o Senhor se chama: “oração“. Porém, a maioria das pessoas sente muita dificuldade para orar e costuma dizer:
1. “…não sei o que é isso direito…”
2. “…não sei como começar isso…”
3. “…até sei começar, mas logo paro de rezar (orar)…” [inconstância]
4. “…só rezo (oro) quando passo por dificuldades…”
5. “rezo (oro), sim, mas do meu jeito…”
6. “rezo (oro) sempre, em todo lugar… (na maioria das vezes uma desculpa de que ainda não aprendeu a orar direito).
Então, para tentar resolver alguns desses problemas, quero mais do que ficar dando explicações teológicas sobre oração. Vou lhe mostrar uma forma muito fácil e prática para você aprender a orar, a ter constância e crescer no relacionamento com esse “Ser Superior”, a quem chamamos de Deus. Prepare-se, vamos aprender a “Oração dos 7 Passos“.
1° Passo:
Determine um lugar para você orar, esse será o seu “cantinho de oração”; nada daquela história de “oro no ônibus”, “no caminho para a escola”, claro você também pode fazer isso nestes momentos, mas Deus é Pai e não quer que você fique só com “lanchinhos”, entende? A oração pessoal deve ter lugar próprio, porque é refeição completa! Você precisa de um lugar no qual as pessoas não o fiquem atrapalhando ou o interrompendo, estamos em busca de um lugar que lhe proporcione intimidade. Existem muitas opções: uma capela (igreja), um lugar mais afastado da casa, um quarto, etc. Agora descubra o seu lugar de oração!
2° Passo:
Geralmente estamos acostumados a orar (rezar) enquanto sentimos vontade de orar (rezar), mas aprendi que “sem disciplina não há santidade” e poderia dizer mais: “sem disciplina não há intimidade”, por isso existem dias em que você ora (reza) muito tempo e outros em que você não quer rezar (orar) nada, e diz: “estou sem vontade”… “estou cansado”… “com sono”… “foi muito corrido o dia”; e por aí vai. Por isso você precisa determinar quanto tempo você vai dar para Deus por dia, talvez para alguns fique fácil de entender assim: é como um dízimo do tempo, pense quanto tempo você deu para a internet? Para a TV? Para os amigos? Para a família? Para o trabalho? Etc. E para Deus? Quanto tempo você tem? Uma dica e uma regra, primeiro a dica: nunca comece com muito tempo, é como na academia: vá devagar no começo (10 minutos?) e depois vá aumentando; e a regra: o tempo sempre pode aumentar, mas nunca diminuir! O importante para Deus não é quantidade, mas o amor com que você reza (ora) e não importa se está cansado ou coisa do tipo; o Senhor o aceita mesmo assim! Não tem desculpa. E aí? Quanto tempo vai dar para Deus? Ah! Escolha também o melhor horário do dia (manhã, tarde, noite ou madrugada?).
3° Passo:
Rezar (orar) um Pai-Nosso e uma Ave-Maria. O Pai-Nosso foi a oração que Jesus nos ensinou (cf. Mt 6, 9-13), nela vamos encontrar grandes ensinamentos que o Senhor nos deixou; e também a Ave-Maria, pois, quando recitamos essa oração, realizamos uma profecia bíblica, você sabia? Veja o que a Bíblia diz em Lucas 1, 48: “…Sim, de agora em diante todas as gerações me proclamarão bem-aventurada”. A maior proclamação que ela é “bem-dita” na verdade é feita pelo próprio Deus, o Anjo Gabriel, disse: “Ave Maria, cheia de Graça, o Senhor é convosco” (Lc 1, 28). Recitar a Ave-Maria é fazer eco da voz de Deus no tempo que se chama hoje; e na segunda parte: “Santa Maria mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte, amém”. Não há nada de errado também; que ela é santa todo o mundo sabe, nós a chamamos de Mãe de Deus somente porque Jesus é Deus e, no fim, pedimos que interceda por nós, mais ou menos como muitas pessoas fazem pedindo uns aos outros oração. Fique tranquilo, pode rezar (orar) sem medo.
4° Passo:
Chegou a hora de louvar, isso significa agradecer. Neste momento você deve ir se lembrando de tudo o que você passou neste dia ou no dia anterior, ou até mesmo lembranças que vierem à sua mente neste momento, pode agradecer a Deus, pode fazer mais ou menos assim: “Senhor, eu Te louvo, porque hoje eu abri meus olhos e vi as nuvens no céu, elas estavam lindas. Senhor, eu Te louvo, porque hoje não me faltou o alimento, Te louvo porque sei que estás sempre ao meu lado. Eu Te louvo por tudo… por aquilo que foi bom e por aquilo que ainda não foi bom…”.
5° Passo:
Todo o mundo erra, não é verdade? Então vamos pedir perdão ao Senhor por todas as coisas que fizemos e não foram muito legais, um dia li no Evangelho que Jesus chorava (cf. Lc 19,41), Ele chorava porque os pecados que aquelas pessoas cometiam não machucavam somente elas mesmas, mas machucavam também o Seu Coração… E o mesmo Jesus que as amava o ama também. Por isso, vamos pedir perdão ao Senhor pelas vezes em que erramos e fizemos aquilo que não deveríamos fazer; pode começar assim: “Senhor, me perdoe… hoje eu menti, tive vergonha de assumir a verdade. Senhor, me perdoe também quando fiquei com muita raiva daquela pessoa… Senhor, perdão…”.
6° Passo:
Agora é o mais fácil: chegou a hora de pedir, fazer a sua prece, seus pedidos. Uma dica: você pode começar pedindo pelos outros e deixar para o fim os seus pedidos pessoais. Quando fizer os seus pedidos lembre-se disso: “A confiança que depositamos nele é esta: em tudo quanto lhe pedirmos, se for conforme à sua vontade, Ele nos atenderá” (I Jo 5,14).
7° Passo:
Oração é diálogo, é conversa, e em uma conversa sempre existe a hora de ouvir; portanto, chegou a hora de ouvir. Hora de ouvir a Deus, talvez pense: “Nossa! Isso é muito difícil…” Não é não! Vou lhe mostrar: você tem Bíblia? Se não tiver é bom comprar uma, se perdeu é bom achá-la (risos). E se você estiver lendo esse texto no computador é só procurar no Google (ou outro buscador) por “Bíblia”, se quiser tem uma versão em pdf. Então pegue sua Bíblia e leia (ouça… risos) uma parte qualquer e depois em silêncio. Deixe ressoar dentro de você a “Voz de Deus”, viu como é fácil? Uma dica: se você está começando a ter contato com a Sagrada Escritura agora, então comece pelo Novo Testamento, é uma linguagem mais próxima da nossa ou então pelos Salmos, também será um bom começo e quando não entender alguma coisa, procure pessoas que realmente o ajudem e não o deixem mais confuso (a).
Pronto! Agora você já pode ter uma vida de oração constante, seja fiel, se marcou um lugar e uma hora, então você tem um encontro: “Um encontro com Deus”. Não falte, tenha certeza: Ele não vai faltar! Não pare de caminhar, esses simples 7 passos vão levá-lo ao Céu!
Orar com música também é muito bom.
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Assista Eliana Ribeiro cantando - "Graças, Pai"
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Preparando a liturgia que celebramos dominicalmente
26 de fevereiro / 2012 – 1º Domingo da Quaresma/B
Textos da Liturgia
A RESTAURAÇÃO DA HUMANIDADE EM CRISTO E O BATISMO
1ª leitura: (Gn 9,8-15) Dilúvio e aliança com a humanidade – O dilúvio é o símbolo do juízo de Deus sobre este mundo. Mas repousa sobre este também sua misericórdia, simbolizada pelo arco-íris. Deus faz uma aliança com Noé e sua descendência, isto é, a humanidade inteira. Apesar do mal, Deus não voltará a destruir a humanidade. É significativo que esta mensagem foi codificada no tempo do declínio do reino de Judá! A fidelidade de Deus dura para sempre. * 9,8-11 cf. Gn 6,18; Os 2,20; Is 11,5-9; 54,9-10; Eclo 44, 18[17b-18]; Rm 11,29 * 9,12-15 cf. Ez 1,28; Ap 4,3.
2ª leitura: (1Pd 3,18-22) Dilúvio e batismo – 1Pd caracteriza-se por seu teor de catequese batismal. O batismo inclui a transmissão de credo. 1Pd 3,18–4,6 contém os elementos do primitivo credo: Cristo morreu e desceu aos infernos (3,18-19), ressuscitou (3,18.21), foi exaltado ao lado de Deus (3,22), julgará vivos e mortos (4,5). Tendo ele trilhado nosso caminho até a morte, nós podemos seguir seu caminho à vida (3,18). O batismo, antítipo do dilúvio, purifica a consciência e nos orienta para onde Cristo no precedeu. * 3,18 cf. Rm 5,6; 6,9-11; Is 53,11; Rm 1,3-4 * 3,20 cf. Gn 6,8–7,7; 2Pd 2,5–3,21 cf. Rm 6,4; Cl 2,12-13 * 3,22 cf. Ef 1,20-21; Cl 1,16-18.
Evangelho: (Mc 1,12-15) Tentação de Jesus no deserto e começo de sua pregação – O batismo de Jesus, sua “provação” no deserto e o fim do ministério do Batista significam o fim da preparação de Jesus. Aproxima-se a grande virada do tempo: Jesus anuncia a boa-nova do Reino de Deus. – A tentação no deserto transforma-se em situação paradisíaca: Jesus é o novo Adão, vencedor da serpente. Seu chamado à conversão é um chamado à fé e à confiança. * 1,12-13 cf. Mt 4,1-11; Lc 4,1-13; Is 11,6-9; Sl 91]90],11-13 * 1,14-15 cf. Mt 4,12-17; Lc 4,14-15; Gl 4,4; Rm 3,25-26.
O mal tem muitas faces e, além disso, uma coerência interior que faz pensar numa figura pessoal, embora não identificável no mundo material. Chama-se “satanás”, o adversário; ou “diabo”, destruidor. Está presente desde o início da humanidade. As águas do dilúvio representavam, para os antigos, um desencadeamento das forças do mal. Mas quem tem a última palavra, na criação, é o amor de Deus. Deus não quer destruir o homem, ele impõe limites ao dilúvio e não mais voltará a destruir a terra (1ª leitura). No fim do dilúvio, Deus repete o dia da criação, em que ele venceu o caos originário, separou as águas de cima e de baixo e deu um lugar ao homem para morar. Faz uma nova criação, melhor que a anterior, pois acompanhada de um pacto de proteção. O arco-íris, que no fim do temporal nos alegra espontaneamente, é o sinal natural desta aliança. Oito pessoas foram preservadas, na arca de Noé. Elas serão, graças à aliança, o início de uma nova humanidade.
Deus oferece novas chances. Incansavelmente deseja que o ser humano viva, mesmo sendo pecador (cf. Ez 18,23). Sua oferta tem pleno sucesso com Jesus de Nazaré. Este é verdadeiramente seu Filho (Mc 1,11). Impelido por seu Espírito, enfrenta no deserto as forças do mal – Satã e os animais selvagens –, mas vence, e os anjos do Altíssimo o servem (evangelho). Vitória escondida, como convém na 1ª parte de Mc. Nos seus 40 dias de deserto, Jesus resume a caminhada do povo de Israel e antecipa também seu próprio caminho de Servo de Javé. Por sua fidelidade na tentação, alcança um novo paraíso. Nas próximas semanas, o acompanharemos em sua subida a Jerusalém, obediente ao Pai. Será a verdadeira prova, na doação até a morte, morte de cruz. E “por isso, Deus o exaltou”... (cf. Fl 2,9).
Jesus, porém, não vai sozinho. Leva-nos consigo. Ele é como a arca que salvou Noé e os seus através das águas do dilúvio. Com ele somos imersos no batismo e saímos dele renovados, numa nova e eterna Aliança. Ao fim da Quaresma, serão batizados os novos candidatos à fé. A imagem da arca, apresentada pela 2ª leitura, está num contexto que menciona os principais pontos do credo: a morte de Cristo e sua descida aos ínferos (para estender a força salvadora até os justos do passado); sua ressurreição e exaltação (onde ele permanece como Senhor da História futura, até o fim). Batismo é transmissão da fé.
Portanto, a liturgia de hoje é como o início de uma grande catequese batismal, e isso mesmo é o sentido da Quaresma: prepararmo-nos para o batismo, que é a participação na reconciliação que o sacrifício de Cristo por nós operou (cf. Rm 3,21-26; 5,1-11; 6,3; etc.). Mergulhar com ele na provação que nos purifica. Também os que já foram batizados participam disso, pois, enquanto não tivermos passado pela última prova, estamos sujeitos a desistências. Mas, como à humanidade toda, no tempo de Noé, também a cada um, batizado ou não, Deus dá novas chances: eis o tempo da conversão. Nisso consiste a expressão de seu íntimo ser, que é, ao mesmo tempo, bondade e justiça: “Ele reconduz ao bom caminho os pecadores, aos humildes conduz até o fim, em seu amor” (salmo responsorial). Por essa razão, todos os batizados renovam, na celebração da Páscoa, seu compromisso batismal.
Anima a liturgia de hoje um espírito de confiança. Ora, confiança significa entrega: corresponder ao amor de Deus por uma vida santa (oração do dia). Claro, devemos sempre viver em harmonia com Deus, correspondendo a seu amor, como num novo paraíso. Na instabilidade da vida, porém, as forças do mal nos surpreendem desprevenidos. Mas a Quaresma é um “tempo forte”, e neste devemos aplicar a nós mesmos a prova do nosso amor, esforçando-nos mais intensamente por uma vida santa.
QUARESMA, REGENERAÇÃO
Celebramos o 1º domingo da Quaresma. Muitos jovens nem sabem o que é a Quaresma. Nem sequer sabem o que significa o Carnaval, antiga festa do fim do inverno no hemisfério norte, que, na Cristandade, tornou-se a despedida da fartura antes de iniciar o jejum da Quaresma...
A Quaresma (do latim quadragesima) significa um tempo de quarenta dias vivido na proximidade do Senhor, na entrega a ele. Depois de batizado por João Batista no rio Jordão, Jesus se retirou no deserto de Judá e jejuou durante quarenta dias, preparando-se para anunciar o Reino de Deus (evangelho). Vivia no meio das feras, mas os anjos de Deus cuidavam dele. Preparando-se desse modo, Jesus assemelha-se a Moisés, que jejuou durante quarenta dias no monte Horeb (Êx 24,18; 34,28; Dt 9,11 etc.), a Elias, que caminhou quarenta dias alimentado pelos corvos até chegar a essa montanha (1Rs 19,8). O povo de Israel peregrinou durante quarenta anos pelo deserto (Dt 2,7), alimentado pelo Senhor.
Na Quaresma deixamos para trás as preocupações mundanas e priorizamos as de Deus. Vivemos numa atitude de volta para Deus, de conversão. Isso não consiste necessariamente em abster-se de pão, mas sobretudo em repartir o pão com o faminto e em todas as demais formas de justiça – o verdadeiro jejum (Is 58,6-8). A Igreja viu, desde seus inícios, nos quarenta dias de preparação de Jesus uma imagem da preparação dos candidatos ao batismo. Assim como Jesus depois desses quarenta dias se entregou à missão recebida de Deus, os catecúmenos eram, depois de quarenta dias de preparação, incorporados em Cristo pelo batismo, para participar da vida nova. O batismo era celebrado na noite da Páscoa, noite da Ressurreição. E toda a comunidade vivia na austeridade material e na riqueza espiritual, preparando-se para celebrar a Ressurreição.
A meta da Quaresma é a Páscoa, o batismo, a regeneração para uma vida nova. Para os que ainda não receberam o batismo – os catecúmenos –, isso se dá no sacramento do batismo na noite pascal; para os já batizados, na conversão que sempre é necessária em nossa vida cristã: daí o sentido da renovação do compromisso batismal e do sacramento da reconciliação neste período. É nesta perspectiva que compreendemos também a 1ª e a 2ª leitura, que nos falam da purificação da humanidade pelas águas do dilúvio e do batismo.
(O Roteiro Homilético é elaborado pelo Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, Professor da FAJE. Autor do livro "Liturgia Dominical", Vozes, Petrópolis, 2003. Entre outras obras, coordenou a tradução da "Bíblia Ecumênica" – TEB e a tradução da "Bíblia Sagrada" – CNBB. Konings é Colunista do Dom Total).
Liturgia de domingo 26 de fevereiro de 2012
Dia 26 de Fevereiro - Domingo
I DOMINGO DA QUARESMA
(Roxo, Creio, Prefácio Próprio – I Semana do Saltério)
Antífona da entrada: Quando meu servo chamar, hei de atendê-lo, estarei com ele na tribulação. Hei de livrá-lo e glorificá-lo e lhe darei longos dias (Sl 90,15s).
Oração do dia
Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta Quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Gênesis 9,8-15)
Leitura do livro do Gênesis.
9 8 Disse também Deus a Noé e as seus filhos:
9 “Vou fazer uma aliança convosco e com vossa posteridade,
10 assim como com todos os seres vivos que estão convosco: as aves, os animais domésticos, todos os animais selvagens que estão convosco, desde todos aqueles que saíram da arca até todo animal da terra.
11 Faço esta aliança convosco: nenhuma criatura será destruída pelas águas do dilúvio, e não haverá mais dilúvio para devastar a terra.”
12 Deus disse: “Eis o sinal da aliança que eu faço convosco e com todos os seres vivos que vos cercam, por todas as gerações futuras:
13 Ponho o meu arco nas nuvens, para que ele seja o sinal da aliança entre mim e a terra.
14 Quando eu tiver coberto o céu de nuvens por cima da terra, o meu arco aparecerá nas nuvens,
15 e me lembrarei da aliança que fiz convosco e com todo ser vivo de toda espécie, e as águas não causarão mais dilúvio que extermine toda criatura".
Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 24/25
Verdade e amor são os caminhos do Senhor.
Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos
e fazei-me conhecer a vossa estrada!
Vossa verdade me oriente e me conduza,
porque sois o Deus da minha salvação.
Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura
e a vossa compaixão, que são eternas!
De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia
e sois bondade sem limite, ó Senhor!
O Senhor é piedade e retidão
e reconduz ao bom caminho os pecadores.
Ele dirige os humildes na justiça
e aos pobres e ele ensina o seu caminho.
Leitura (1 Pedro 3,18-22)
Leitura da primeira carta de São Pedro.
3 18 Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados - o Justo pelos injustos - para nos conduzir a Deus. Padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito.
19 É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes,
20 quando Deus aguardava com paciência, enquanto se edificava a arca, na qual poucas pessoas, isto é, apenas oito se salvaram através da água.
21 Esta água prefigurava o batismo de agora, que vos salva também a vós, não pela purificação das impurezas do corpo, mas pela que consiste em pedir a Deus uma consciência boa, pela ressurreição de Jesus Cristo.
22 Esse Jesus Cristo, tendo subido ao céu, está assentado à direita de Deus, depois de ter recebido a submissão dos anjos, dos principados e das potestades.
Palavra do Senhor.
Evangelho (Marcos 1,12-15)
Louvor e glória a ti, Senhor, Cristo, palavra de Deus.
O homem não vive somente de pão, mas de toda a palavra da boca de Deus (Mt 4,4)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
12 E logo o Espírito impeliu Jesus para o deserto.
13 Aí esteve quarenta dias. Foi tentado pelo demônio e esteve em companhia dos animais selvagens. E os anjos o serviam.
14 Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galiléia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia:
15 "Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho."
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
Em Marcos, esta narrativa da tentação parece ser o prenúncio simbólico o ministério de Jesus, prestes a se iniciar: a agressão sucessiva dos líderes religiosos que se colocam como seus adversários é a provação de satanás e o convívio com as feras; e o conforto da fraternidade dos discípulos, iniciados no seu aprendizado, é o serviço dos anjos. Mateus e Lucas apresentam a tentação por satanás em três etapas. Transformar pedras em pães, adorar o tentador e apossarse do mundo, e atirar-se do alto do Templo desafiando a Deus. São as características de um messias que tem soluções enganosas para as aspirações populares, que se apossa do poder e que ostenta uma condição divina. Tal messianismo é descartado por Jesus. O Espírito recebido no batismo conduz Jesus, o qual vence as tentações. As tentações foram associadas à narrativa do batismo de Jesus como pedagogia catequética: os neobatizados devem estar preparados e fortalecidos para enfrentar as tentações após terem recebido seu batismo. As duas primeiras leituras de hoje são alusivas ao batismo: "Nesta arca [de Noé], umas poucas pessoas... foram salvas, por meio da água. À água corresponde o batismo, que hoje é a vossa salvação". Pode-se ver que, em sua leitura alegórica do dilúvio, o autor da Primeira Carta de Pedro se ateve ao segundo momento do dilúvio, quando Noé e os seus sobrevivem, após a destruição total pelas águas. O tempo litúrgico da quaresma, que se inicia hoje, tem uma característica de tempo forte de conversão. Resistir às tentações que se apresentam agradáveis aos sentidos, ao conforto, à segurança, à vaidade, estimulando o sucesso pessoal no usufruto do poder, levando à indiferença pelo próximo humilde e sofredor. É tempo de voltar-se amorosamente para o nosso próximo, particularmente aquele excluído e empobrecido, na partilha e na comunhão de vida.
(O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE, e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Fazei, ó Deus, que o nosso coração corresponda a estas oferendas com as quais iniciamos nossa caminhada para a Páscoa. Por Cristo, nosso Senhor.
Prefácio próprio
A Tentação do Senhor
Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso. Jejuando quarenta dias no deserto, Jesus consagrou a observância quaresmal. Desarmando as ciladas do antigo inimigo, ensinou-nos a vencer o fermento da maldade. Celebrando agora o mistério pascal, nós nos preparamos para a páscoa definitiva. Enquanto esperamos a plenitude eterna, com os anjos e todos os santos, nós vos aclamamos, cantando (dizendo) a uma só vos...
Antífona da comunhão: Não só de pão vive o homem, as de toda palavra que sai da boca de Deus (Mt 4,4).
Depois da comunhão
Ó Deus, que nos alimentastes com este pão que nutre a fé, incentiva a esperança e fortalece a caridade, dai-nos desejar Cristo, pão vivo e verdadeiro, e viver de toda palavra que sai de vossa boca. Por Cristo, nosso Senhor.
I DOMINGO DA QUARESMA
(Roxo, Creio, Prefácio Próprio – I Semana do Saltério)
Antífona da entrada: Quando meu servo chamar, hei de atendê-lo, estarei com ele na tribulação. Hei de livrá-lo e glorificá-lo e lhe darei longos dias (Sl 90,15s).
Oração do dia
Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta Quaresma, possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura (Gênesis 9,8-15)
Leitura do livro do Gênesis.
9 8 Disse também Deus a Noé e as seus filhos:
9 “Vou fazer uma aliança convosco e com vossa posteridade,
10 assim como com todos os seres vivos que estão convosco: as aves, os animais domésticos, todos os animais selvagens que estão convosco, desde todos aqueles que saíram da arca até todo animal da terra.
11 Faço esta aliança convosco: nenhuma criatura será destruída pelas águas do dilúvio, e não haverá mais dilúvio para devastar a terra.”
12 Deus disse: “Eis o sinal da aliança que eu faço convosco e com todos os seres vivos que vos cercam, por todas as gerações futuras:
13 Ponho o meu arco nas nuvens, para que ele seja o sinal da aliança entre mim e a terra.
14 Quando eu tiver coberto o céu de nuvens por cima da terra, o meu arco aparecerá nas nuvens,
15 e me lembrarei da aliança que fiz convosco e com todo ser vivo de toda espécie, e as águas não causarão mais dilúvio que extermine toda criatura".
Palavra do Senhor.
Salmo responsorial 24/25
Verdade e amor são os caminhos do Senhor.
Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos
e fazei-me conhecer a vossa estrada!
Vossa verdade me oriente e me conduza,
porque sois o Deus da minha salvação.
Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura
e a vossa compaixão, que são eternas!
De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia
e sois bondade sem limite, ó Senhor!
O Senhor é piedade e retidão
e reconduz ao bom caminho os pecadores.
Ele dirige os humildes na justiça
e aos pobres e ele ensina o seu caminho.
Leitura (1 Pedro 3,18-22)
Leitura da primeira carta de São Pedro.
3 18 Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados - o Justo pelos injustos - para nos conduzir a Deus. Padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito.
19 É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes,
20 quando Deus aguardava com paciência, enquanto se edificava a arca, na qual poucas pessoas, isto é, apenas oito se salvaram através da água.
21 Esta água prefigurava o batismo de agora, que vos salva também a vós, não pela purificação das impurezas do corpo, mas pela que consiste em pedir a Deus uma consciência boa, pela ressurreição de Jesus Cristo.
22 Esse Jesus Cristo, tendo subido ao céu, está assentado à direita de Deus, depois de ter recebido a submissão dos anjos, dos principados e das potestades.
Palavra do Senhor.
Evangelho (Marcos 1,12-15)
Louvor e glória a ti, Senhor, Cristo, palavra de Deus.
O homem não vive somente de pão, mas de toda a palavra da boca de Deus (Mt 4,4)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
12 E logo o Espírito impeliu Jesus para o deserto.
13 Aí esteve quarenta dias. Foi tentado pelo demônio e esteve em companhia dos animais selvagens. E os anjos o serviam.
14 Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galiléia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia:
15 "Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho."
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
Em Marcos, esta narrativa da tentação parece ser o prenúncio simbólico o ministério de Jesus, prestes a se iniciar: a agressão sucessiva dos líderes religiosos que se colocam como seus adversários é a provação de satanás e o convívio com as feras; e o conforto da fraternidade dos discípulos, iniciados no seu aprendizado, é o serviço dos anjos. Mateus e Lucas apresentam a tentação por satanás em três etapas. Transformar pedras em pães, adorar o tentador e apossarse do mundo, e atirar-se do alto do Templo desafiando a Deus. São as características de um messias que tem soluções enganosas para as aspirações populares, que se apossa do poder e que ostenta uma condição divina. Tal messianismo é descartado por Jesus. O Espírito recebido no batismo conduz Jesus, o qual vence as tentações. As tentações foram associadas à narrativa do batismo de Jesus como pedagogia catequética: os neobatizados devem estar preparados e fortalecidos para enfrentar as tentações após terem recebido seu batismo. As duas primeiras leituras de hoje são alusivas ao batismo: "Nesta arca [de Noé], umas poucas pessoas... foram salvas, por meio da água. À água corresponde o batismo, que hoje é a vossa salvação". Pode-se ver que, em sua leitura alegórica do dilúvio, o autor da Primeira Carta de Pedro se ateve ao segundo momento do dilúvio, quando Noé e os seus sobrevivem, após a destruição total pelas águas. O tempo litúrgico da quaresma, que se inicia hoje, tem uma característica de tempo forte de conversão. Resistir às tentações que se apresentam agradáveis aos sentidos, ao conforto, à segurança, à vaidade, estimulando o sucesso pessoal no usufruto do poder, levando à indiferença pelo próximo humilde e sofredor. É tempo de voltar-se amorosamente para o nosso próximo, particularmente aquele excluído e empobrecido, na partilha e na comunhão de vida.
(O comentário litúrgico é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE, e disponibilizado neste Portal a cada mês)
Sobre as oferendas
Fazei, ó Deus, que o nosso coração corresponda a estas oferendas com as quais iniciamos nossa caminhada para a Páscoa. Por Cristo, nosso Senhor.
Prefácio próprio
A Tentação do Senhor
Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso. Jejuando quarenta dias no deserto, Jesus consagrou a observância quaresmal. Desarmando as ciladas do antigo inimigo, ensinou-nos a vencer o fermento da maldade. Celebrando agora o mistério pascal, nós nos preparamos para a páscoa definitiva. Enquanto esperamos a plenitude eterna, com os anjos e todos os santos, nós vos aclamamos, cantando (dizendo) a uma só vos...
Antífona da comunhão: Não só de pão vive o homem, as de toda palavra que sai da boca de Deus (Mt 4,4).
Depois da comunhão
Ó Deus, que nos alimentastes com este pão que nutre a fé, incentiva a esperança e fortalece a caridade, dai-nos desejar Cristo, pão vivo e verdadeiro, e viver de toda palavra que sai de vossa boca. Por Cristo, nosso Senhor.
Oração
Redescobrir a oração: exercício para alcançar qualidade de vida
A oração é um exercício fundamental na busca pela qualidade de vida. Nas indicações que não podem faltar, especialmente para a vida cristã, estão a prática e o cultivo disciplinado da oração. É um exercício que tem força incomparável em relação às diversas abordagens de autoajuda, como livros e DVDs, muito comuns na atualidade.
A crise existencial contemporânea, em particular na cultura ocidental, precisa redescobrir o caminho da oração para uma vida de qualidade. Equivocado é o entendimento que pensa a oração como prática exclusiva de devotos. A oração guarda uma dimensão essencial da vida cristã. Cultivar essa prática é um segredo fundamental para reconquistar a inteireza da própria vida e fecundar o sentido que a sustenta.
É muito oportuno incluir entre as diversificadas opiniões, junto aos variados assuntos discutidos cotidianamente, o que significa e o que se pode alcançar pelo caminho da oração. Perdê-la como força e não adotá-la como prática diária é abrir mão de uma alavanca com força para mover mundos. A fé cristã, por meio da teologia, tem por tradição abordar a importância da oração ao analisar a sua estrutura fundamental, seus elementos constitutivos, suas formas e os modos de sua experiência. Trata-se de uma importante ciência e de uma prática rica para fecundar a fé.
Assista: Catequese do Papa Bento XVI sobre a oração.
A oração tem propriedades para qualificar a vida pessoal, familiar, social e comunitária. Muitos podem desconhecer, mas ela [oração] pode ser um laço irrenunciável com o compromisso ético. É prática dos devotos, mas também um estímulo à cidadania. Ao contrário de ser fuga das dificuldades, é clarividência e sabedoria, tão necessários no enfrentamento dos problemas. Na verdade, a prece faz brotar uma fonte interior de decisões, baseadas em valores com força qualitativa.
A oração, como prática e como inquestionável demanda, no entanto, passa por uma crise por razões socioculturais. Aliás, uma crise numa cultura ocidental que nunca foi radicalmente orante. O secularismo e a mentalidade racionalista se confrontam com aspectos importantes da vida oracional, como a intercessão e a contemplação. Diante desse cenário, é importante sublinhar: paga-se um preço muito alto quando se configura o caminho existencial distante da dimensão transcendente. O distanciamento, o desconhecimento e a tendência de banir o divino como referencial produzem vazios que atingem frontalmente a existência.
É longo o caminho para acertar a compreensão e fazer com que todos percebam o horizonte rico e indispensável da oração. Faz falta a clareza de que existem situações e problemas que a política, a ciência e a técnica não podem oferecer soluções, como o sentido da vida e a experiência de uma felicidade duradoura. A oração é caminho singular. É, pois, indispensável aprender a orar e cultivar a disciplina diária da oração. Trata-se de um caminhar em direção às raízes e ao essencial. Nesse caminho está um remédio indispensável para o mundo atual, que proporciona mais fraternidade e experiências de solidariedade.
A lógica dominante da sociedade contemporânea está na contramão dessa busca. Os mecanismos que regem o consumismo e a autossuficiência humana provocam mortes. Sozinho, o progresso tecnológico, tão necessário e admirável, produz ambiguidades fatais e inúmeras contradições. Orar desperta uma consciência própria de autenticidade. Impulsiona à experiência humilde do próprio limite e inspira a conversão. É recomendação cristã determinante dos rumos da vida e de sua qualidade. A Igreja Católica tem verdadeiros tesouros, na forma de tratados, de estudos, de reflexões, e de indicações para o cultivo da oração, que remetem à origem do Cristianismo, quando os próprios discípulos pediram a Jesus: “Ensina-nos a orar”. É uma tarefa missionária essencial na fé, uma aprendizagem necessária, um cultivo para novas respostas na qualificação pessoal e do tecido cultural sustentador da vida em sociedade.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte
A oração é um exercício fundamental na busca pela qualidade de vida. Nas indicações que não podem faltar, especialmente para a vida cristã, estão a prática e o cultivo disciplinado da oração. É um exercício que tem força incomparável em relação às diversas abordagens de autoajuda, como livros e DVDs, muito comuns na atualidade.
A crise existencial contemporânea, em particular na cultura ocidental, precisa redescobrir o caminho da oração para uma vida de qualidade. Equivocado é o entendimento que pensa a oração como prática exclusiva de devotos. A oração guarda uma dimensão essencial da vida cristã. Cultivar essa prática é um segredo fundamental para reconquistar a inteireza da própria vida e fecundar o sentido que a sustenta.
É muito oportuno incluir entre as diversificadas opiniões, junto aos variados assuntos discutidos cotidianamente, o que significa e o que se pode alcançar pelo caminho da oração. Perdê-la como força e não adotá-la como prática diária é abrir mão de uma alavanca com força para mover mundos. A fé cristã, por meio da teologia, tem por tradição abordar a importância da oração ao analisar a sua estrutura fundamental, seus elementos constitutivos, suas formas e os modos de sua experiência. Trata-se de uma importante ciência e de uma prática rica para fecundar a fé.
Assista: Catequese do Papa Bento XVI sobre a oração.
A oração tem propriedades para qualificar a vida pessoal, familiar, social e comunitária. Muitos podem desconhecer, mas ela [oração] pode ser um laço irrenunciável com o compromisso ético. É prática dos devotos, mas também um estímulo à cidadania. Ao contrário de ser fuga das dificuldades, é clarividência e sabedoria, tão necessários no enfrentamento dos problemas. Na verdade, a prece faz brotar uma fonte interior de decisões, baseadas em valores com força qualitativa.
A oração, como prática e como inquestionável demanda, no entanto, passa por uma crise por razões socioculturais. Aliás, uma crise numa cultura ocidental que nunca foi radicalmente orante. O secularismo e a mentalidade racionalista se confrontam com aspectos importantes da vida oracional, como a intercessão e a contemplação. Diante desse cenário, é importante sublinhar: paga-se um preço muito alto quando se configura o caminho existencial distante da dimensão transcendente. O distanciamento, o desconhecimento e a tendência de banir o divino como referencial produzem vazios que atingem frontalmente a existência.
É longo o caminho para acertar a compreensão e fazer com que todos percebam o horizonte rico e indispensável da oração. Faz falta a clareza de que existem situações e problemas que a política, a ciência e a técnica não podem oferecer soluções, como o sentido da vida e a experiência de uma felicidade duradoura. A oração é caminho singular. É, pois, indispensável aprender a orar e cultivar a disciplina diária da oração. Trata-se de um caminhar em direção às raízes e ao essencial. Nesse caminho está um remédio indispensável para o mundo atual, que proporciona mais fraternidade e experiências de solidariedade.
A lógica dominante da sociedade contemporânea está na contramão dessa busca. Os mecanismos que regem o consumismo e a autossuficiência humana provocam mortes. Sozinho, o progresso tecnológico, tão necessário e admirável, produz ambiguidades fatais e inúmeras contradições. Orar desperta uma consciência própria de autenticidade. Impulsiona à experiência humilde do próprio limite e inspira a conversão. É recomendação cristã determinante dos rumos da vida e de sua qualidade. A Igreja Católica tem verdadeiros tesouros, na forma de tratados, de estudos, de reflexões, e de indicações para o cultivo da oração, que remetem à origem do Cristianismo, quando os próprios discípulos pediram a Jesus: “Ensina-nos a orar”. É uma tarefa missionária essencial na fé, uma aprendizagem necessária, um cultivo para novas respostas na qualificação pessoal e do tecido cultural sustentador da vida em sociedade.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte
Jejum? OU Regime?
Qual a diferença? Durante a Quaresma a Igreja nos propõe um momento de reflexão. É o tempo para oferecermos algo que nos é importante como um sacrifício para que nos tornemos melhores cristãos. O que decidirmos oferecer deverá fazer com que, após esse tempo, tenhamos nos tornado melhores.
Muitas pessoas, durante esse período, decidem não comer chocolate durante 40 dias como uma forma de “penitência” e no Domingo de Páscoa quase morrem de indigestão de tantos ovos de chocolate que consomem. Muitos dizem aproveitar essa época para fazer um “regime”, pois somente assim conseguem ficar longe dessa tentação [chocolate].
Mas vamos refletir melhor sobre qual o sentido da penitência quaresmal: fazer com que, depois desse período de abstinência, tenha ocorrido alguma mudança no seu interior. De que adianta ficar 40 dias sem comer um alimento se depois ele for consumido em dobro? O que mudou em você? Apenas a contagem regressiva para chegar ao Domingo de Páscoa e poder comer os famosos ovos de Páscoa, certo? Que tal mudarmos o foco da penitência e fazer com que uma mudança de comportamento alimentar, durante a Quaresma, traga não apenas benefícios para nossa saúde física como também para a psíquica e espiritual?
Todos sabem que durante esse tempo, às sextas-feiras, devemos comer peixe, mas você já pensou em aumentar o consumo desse tipo de proteína como uma forma de penitência? Que tal colocá-lo no cardápio da família pelo menos 3 vezes durante a semana? Incrível como nos esquecemos de comer esse tipo de carne. Todas as vezes em que pergunto aos meus pacientes se eles comem carne de peixe eles respondem que até gostam, mas não têm o hábito de consumir esse alimento mais vezes na semana. Pois aqui está uma ótima oportunidade para uma mudança de comportamento alimentar e você vai notar que, após o tempo quaresmal, sentirá falta dessa importante fonte de proteína e a incluirá mais vezes no cardápio de sua casa.
Dra. Gisela Savioli
Nutricionista clínica, escritora
Muitas pessoas, durante esse período, decidem não comer chocolate durante 40 dias como uma forma de “penitência” e no Domingo de Páscoa quase morrem de indigestão de tantos ovos de chocolate que consomem. Muitos dizem aproveitar essa época para fazer um “regime”, pois somente assim conseguem ficar longe dessa tentação [chocolate].
Mas vamos refletir melhor sobre qual o sentido da penitência quaresmal: fazer com que, depois desse período de abstinência, tenha ocorrido alguma mudança no seu interior. De que adianta ficar 40 dias sem comer um alimento se depois ele for consumido em dobro? O que mudou em você? Apenas a contagem regressiva para chegar ao Domingo de Páscoa e poder comer os famosos ovos de Páscoa, certo? Que tal mudarmos o foco da penitência e fazer com que uma mudança de comportamento alimentar, durante a Quaresma, traga não apenas benefícios para nossa saúde física como também para a psíquica e espiritual?
Todos sabem que durante esse tempo, às sextas-feiras, devemos comer peixe, mas você já pensou em aumentar o consumo desse tipo de proteína como uma forma de penitência? Que tal colocá-lo no cardápio da família pelo menos 3 vezes durante a semana? Incrível como nos esquecemos de comer esse tipo de carne. Todas as vezes em que pergunto aos meus pacientes se eles comem carne de peixe eles respondem que até gostam, mas não têm o hábito de consumir esse alimento mais vezes na semana. Pois aqui está uma ótima oportunidade para uma mudança de comportamento alimentar e você vai notar que, após o tempo quaresmal, sentirá falta dessa importante fonte de proteína e a incluirá mais vezes no cardápio de sua casa.
Dra. Gisela Savioli
Nutricionista clínica, escritora
A fé perseguida
"nenhuma fé religiosa foi tão perseguida quanto o cristianismo”
Em recente intervenção durante inauguração da 5ª Jornadas Católicas e Vida pública, em Sevilha, na Espanha, o arcebispo local, Dom Juan José Asenjo, comentou a respeito dos milhões de cristãos que padecem em todo o mundo em razão da intolerância religiosa.
Sevilha, 25 fev (SIR/Gaudium Press) - Segundo o prelado, a cada cinco minutos um cristão é assassinado no mundo por causa de sua fé e a cada ano, 105 mil são condenados ao martírio.
Trata-se de "um verdadeiro holocausto de que ninguém fala", declarou. Dom Juan José Asenjo destacou que a situação dos cristãos tem piorado no mundo inteiro, mas especialmente nas regiões onde o fundamentalismo islâmico tem ganhado força. A respeito da Europa e, particularmente, da Espanha, Dom Asenjo declarou que não há situações de intolerância religiosa como em outros países. Contudo, segundo ele, há limitações desta ordem bem mais subliminares. Como exempl o, o bispo citou o caso da retirada de símbolos religiosos em escolas, hospitais, e lugares públicos.
Tal fato é "uma contradição em uma sociedade que quer ser mais aberta, plural e tolerante, mas a tolerância não se constrói sobre a prévia aniquilação dos símbolos da fé, mas sobre sua respeitosa aceitação como expressão das crenças e da fé religiosa que deu vida e sentido à historia de nossas comunidades e nosso povo".
Como exemplo da intolerância religiosa na Espanha, Dom Asenjo também se referiu à "violação da liberdade religiosa" presente na lei da Educação para a Cidadania, ou a recente decisão do Governo basco de proibir a emissão de uns spots publicitários na televisão autônoma, nos quais se anima os pais a inscrever seus filhos nas aulas de ensino religioso. Para o arcebispo de Sevilha estas iniciativas têm raízes históricas que se concentram no "ódio ao cristianismo e a Igreja, mais além do que pretextos possíveis e mais ou menos inverossímeis que os historiadores acrescentaram para justificar estas condutas".
Por fim, fazendo sua defesa final, Dom Asenjo afirmou que fora o cristianismo nenhuma outra forma religiosa foi tão perseguida "com o acinte e o rancor com que tem sido perseguido o cristianismo ao longo de 20 séculos em todas as latitudes geográficas". As 5º Jornadas Católicas e Vida pública foram realizadas entre 17 e 19 de fevereiro com tema geral "Liberdade religiosa e vida pública".
Em recente intervenção durante inauguração da 5ª Jornadas Católicas e Vida pública, em Sevilha, na Espanha, o arcebispo local, Dom Juan José Asenjo, comentou a respeito dos milhões de cristãos que padecem em todo o mundo em razão da intolerância religiosa.
Sevilha, 25 fev (SIR/Gaudium Press) - Segundo o prelado, a cada cinco minutos um cristão é assassinado no mundo por causa de sua fé e a cada ano, 105 mil são condenados ao martírio.
Trata-se de "um verdadeiro holocausto de que ninguém fala", declarou. Dom Juan José Asenjo destacou que a situação dos cristãos tem piorado no mundo inteiro, mas especialmente nas regiões onde o fundamentalismo islâmico tem ganhado força. A respeito da Europa e, particularmente, da Espanha, Dom Asenjo declarou que não há situações de intolerância religiosa como em outros países. Contudo, segundo ele, há limitações desta ordem bem mais subliminares. Como exempl o, o bispo citou o caso da retirada de símbolos religiosos em escolas, hospitais, e lugares públicos.
Tal fato é "uma contradição em uma sociedade que quer ser mais aberta, plural e tolerante, mas a tolerância não se constrói sobre a prévia aniquilação dos símbolos da fé, mas sobre sua respeitosa aceitação como expressão das crenças e da fé religiosa que deu vida e sentido à historia de nossas comunidades e nosso povo".
Como exemplo da intolerância religiosa na Espanha, Dom Asenjo também se referiu à "violação da liberdade religiosa" presente na lei da Educação para a Cidadania, ou a recente decisão do Governo basco de proibir a emissão de uns spots publicitários na televisão autônoma, nos quais se anima os pais a inscrever seus filhos nas aulas de ensino religioso. Para o arcebispo de Sevilha estas iniciativas têm raízes históricas que se concentram no "ódio ao cristianismo e a Igreja, mais além do que pretextos possíveis e mais ou menos inverossímeis que os historiadores acrescentaram para justificar estas condutas".
Por fim, fazendo sua defesa final, Dom Asenjo afirmou que fora o cristianismo nenhuma outra forma religiosa foi tão perseguida "com o acinte e o rancor com que tem sido perseguido o cristianismo ao longo de 20 séculos em todas as latitudes geográficas". As 5º Jornadas Católicas e Vida pública foram realizadas entre 17 e 19 de fevereiro com tema geral "Liberdade religiosa e vida pública".
O papa pede que nós padres, deixemos o carreirismo
''Chega de carreirismo'
"É a falta de humildade que destrói a unidade" da Igreja. "A soberba é a raiz de todos os pecados". As afirmações são de Bento XVI, bispo de Roma falando de improviso aos párocos da sua diocese.
Vaticano - Mais de 300 o ouviram nessa quinta-feira, 23 de fevereiro, na Aula Nervi, no tradicional encontro do início da Quaresma com os padres romanos.
Neste ano, em vez da troca de perguntas e respostas, o papa preferiu realizar uma lectio divina. Por uma hora, falando de improviso, ele lhes explicou as insídias das quais é preciso se resguardar. Assim como aos futuros 22 cardeais durante o último Consistório, ele indicou as lógicas mundanas, a busca do poder e do sucesso.
Só a humildade, conjugada com o realismo, proferiu o pontífice, que "nos torna verdadeiramente livres". Diante dos "corvos", do vazamento de documentos reservados dos Sagrados Palácios, evidente extensão pública de um confronto interno à Cúria Romana, o papa convida a olhar para a fé, para serviço e para amor à Igreja e aos irmãos.
Nessa quinta-feira, ele denunciou o carreirismo presente na Igreja. Convidou a fugir da "vaidade" que – afirmou, falando em primeira pessoa –, "no fim, é contra mim e não me faz feliz". "Devo saber aceitar – continuou – a minha pequena posição na Igreja". É essa humildade – acrescentou – que "leva a não querer aparecer, mas sim a fazer aquilo que Deus pensou para mim e que, para mim, faz parte do realismo cristão".
A humildade é central. "Os cristãos – observou – estão divididos porque falta a humildade". "A soberba – enfatizou – é arrogância. É a raiz de todos os pecados, a busca do poder, aparecer aos olhos dos outros, não se preocupar em agradar a si mesmo e a Deus. Ser cristão significa superar essa tentação".
Durante a audiência geral da quarta-feira e depois no rito das Cinzas celebrado à tarde na Basílica de Santa Sabina, o papa advertira contra a tentação do poder e do materialismo. Antes ainda, havia indicado o perigo representado pelo poder da mídia e das finanças. Na sua lectio, não faltou uma passagem crítica contra os "católicos adultos", contra uma "fé emancipada do magistério".
Mas, para Ratzinger, o resultado "é a dependência das ondas do mundo, da ditadura dos meios de comunicação, da opinião comum, ou seja, do modo que todos pensam e querem". É o neoconformismo. "Libertar-se dessa ditadura – disse – é libertar-se realmente".
O grande problema da Igreja, concluiu o Papa Bento XVI, é o da "falta de conhecimento da fé", do "analfabetismo religioso". Ele admitiu que, na Igreja, hoje, "nem tudo é fé e amor" e que "se destrói a esperança que torna visível o Rosto de Deus". Ele convidou os párocos romanos a viver a esperança. "Ela – assegurou – nos garante que os poderes não são diferentes, e, no fim, o líder não permanece, não permanece a sujeira do mal, do pecado. Permanece apenas a Luz".
Jornal L'Unità, 24-02-2012. IHU-Unisinos
"É a falta de humildade que destrói a unidade" da Igreja. "A soberba é a raiz de todos os pecados". As afirmações são de Bento XVI, bispo de Roma falando de improviso aos párocos da sua diocese.
Vaticano - Mais de 300 o ouviram nessa quinta-feira, 23 de fevereiro, na Aula Nervi, no tradicional encontro do início da Quaresma com os padres romanos.
Neste ano, em vez da troca de perguntas e respostas, o papa preferiu realizar uma lectio divina. Por uma hora, falando de improviso, ele lhes explicou as insídias das quais é preciso se resguardar. Assim como aos futuros 22 cardeais durante o último Consistório, ele indicou as lógicas mundanas, a busca do poder e do sucesso.
Só a humildade, conjugada com o realismo, proferiu o pontífice, que "nos torna verdadeiramente livres". Diante dos "corvos", do vazamento de documentos reservados dos Sagrados Palácios, evidente extensão pública de um confronto interno à Cúria Romana, o papa convida a olhar para a fé, para serviço e para amor à Igreja e aos irmãos.
Nessa quinta-feira, ele denunciou o carreirismo presente na Igreja. Convidou a fugir da "vaidade" que – afirmou, falando em primeira pessoa –, "no fim, é contra mim e não me faz feliz". "Devo saber aceitar – continuou – a minha pequena posição na Igreja". É essa humildade – acrescentou – que "leva a não querer aparecer, mas sim a fazer aquilo que Deus pensou para mim e que, para mim, faz parte do realismo cristão".
A humildade é central. "Os cristãos – observou – estão divididos porque falta a humildade". "A soberba – enfatizou – é arrogância. É a raiz de todos os pecados, a busca do poder, aparecer aos olhos dos outros, não se preocupar em agradar a si mesmo e a Deus. Ser cristão significa superar essa tentação".
Durante a audiência geral da quarta-feira e depois no rito das Cinzas celebrado à tarde na Basílica de Santa Sabina, o papa advertira contra a tentação do poder e do materialismo. Antes ainda, havia indicado o perigo representado pelo poder da mídia e das finanças. Na sua lectio, não faltou uma passagem crítica contra os "católicos adultos", contra uma "fé emancipada do magistério".
Mas, para Ratzinger, o resultado "é a dependência das ondas do mundo, da ditadura dos meios de comunicação, da opinião comum, ou seja, do modo que todos pensam e querem". É o neoconformismo. "Libertar-se dessa ditadura – disse – é libertar-se realmente".
O grande problema da Igreja, concluiu o Papa Bento XVI, é o da "falta de conhecimento da fé", do "analfabetismo religioso". Ele admitiu que, na Igreja, hoje, "nem tudo é fé e amor" e que "se destrói a esperança que torna visível o Rosto de Deus". Ele convidou os párocos romanos a viver a esperança. "Ela – assegurou – nos garante que os poderes não são diferentes, e, no fim, o líder não permanece, não permanece a sujeira do mal, do pecado. Permanece apenas a Luz".
Jornal L'Unità, 24-02-2012. IHU-Unisinos
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